Coruja-da-igreja

Coruja-das-torres, coruja-da-igreja, rasga-mortalha (Maranhão, Pernambuco, Ceará), coruja-do-campanário (São Paulo), Coruja-de-Celeiro ou suindara, é uma espécie de coruja muito comum no Brasil, bastante conhecida por nidificar em torres de igrejas e locais habitados (razão de um de seus nomes comuns).
Está entre as aves mais “úteis” do mundo, no que se refere à economia do homem, pois consomem muitos roedores, principalmente nas proximidades de habitações humanas.
O nome suindara vem do tupi e significa “aquele que não come”.

Nome Científico

Seu nome científico significa: Tyto furcataCoruja branca [com rabo] pontiagudo.
Obs: Modificado recentemente (2014). Antiga Tyto alba ⇒ Coruja branca.

Características

Possui em média 36 centímetros de comprimento e envergadura entre 75 e 110 centímetros, as fêmeas pesam em média 570 gramas e os machos 470 gramas. É uma espécie muito especializada, caça suas presas localizando-as principalmente pela audição. Possui dois discos faciais bem destacados, em forma semelhante a um coração, que ajuda a levar o som até a entrada dos ouvidos externos. Essa é uma estrutura única, separando-a das demais corujas em uma família especial, a Tytonidae.

Subespécies

Possui cinco subespécies reconhecidas:

  • Tyto furcata furcata (Temminck, 1827) - ocorre nas ilhas de Cuba, Cayman e Jamaica no Caribe.
  • Tyto furcata contempta (Hartert, 1898) - ocorre nos Andes do oeste da Venezuela e Colômbia.
  • Tyto furcata hellmayri (Griscom & Greenway, 1937) - ocorre no leste da Venezuela (incluindo a ilha Margarita) nas Guianas, norte do Brasil, e também nas ilhas de Trinidad e Tobago no Caribe.
  • Tyto furcata pratincola (Bonaparte, 1838) - ocorre no sul do Canadá, nos Estados Unidos da América e também nas ilhas das Bermudas, Bahamas e na ilha Hispaniola (Haiti e República Dominicana).
  • Tyto furcata tuidara (J.E. Gray, 1829) - ocorre no Brasil, desde a margem sul do Rio Amazonas até a Terra do Fogo e ilhas Malvinas.

Obs: O CBRO segue Wink et al. (2008) separando o gênero Tyto em furcata para o grupo americano e alba para o grupo que ocorre no Velho Mundo.

Fotos das subespécies de Tyto furcata
(ssp. hellmayri) (ssp. tuidara)

Alimentação

É uma grande caçadora de ratos, sejam silvestres, sejam espécies introduzidas de fora das Américas. Como todas as corujas, ingere o alimento inteiro. No estômago, há a separação dos pelos, ossos e outras partes não digeríveis, as quais formam pelotas, posteriormente regurgitadas em seu pouso tradicional. A análise dessas pelotas, indica o alimento ingerido pela espécie. Por esse método, descobriu-se no interior de São Paulo, que duas suindaras mudavam seu alimento conforme a época do ano. No período do inverno, cerca de 90% das pelotas era formada por restos de roedores e 7% de gafanhotos. Já no verão, o inverso. Além de insetos e roedores, apanha morcegos, pequenos marsupiais, anfíbios, répteis e aves.

Reprodução

Põe de 4 a 7 ovos, que incubará durante uns 32 dias. Dentro de 50 dias os filhotes já estão aptos a voar. Normalmente, não se separam de seus pais até os 3 meses de vida. O seu nome se dá pelo habito de fazer os seus ninhos em edificações humanas incluindo as torres das igrejas.

Hábitos

De hábitos noturnos, prefere presas vivas. Se perturbadas, balançam o corpo lateralmente. Se encurraladas, jogam-se de barriga para cima, enfrentando o perigo com as poderosas garras que lançam para frente.

Grito fortíssimo, “chraich” (“rasga-mortalha”), que emite frequentemente durante o voo. Quando se assusta durante o dia ou quando quer amedrontar, bufa fortemente podendo estalar com o bico. Um roncar, igualzinho ao roncar do homem, é emitido no período de acasalamento, entoado em dueto pelo casal, a fêmea responde nos intervalos que o macho intercala; semelhante som é emitido com frequência pelos filhotes, que assim acabam revelando o local do ninho. Um sibilar rítmico é emitido no local em que dormem durante o dia. Vocaliza uma sequência de “tic-tic-tic…” durante o voo à noite.

Distribuição Geográfica

Amplamente encontrada em todos os continentes exceto em regiões muito frias. Ocorre em todo Brasil.

Referências

Consulta bibliográfica sobre as subespécies:

  • del Hoyo, J.; et al., (2014). Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona.
  • Piacentini et al. (2015). Annotated checklist of the birds of Brazil by the Brazilian Ornithological Records Committee / Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos. Revista Brasileira de Ornitologia, 23(2): 91–298.
  • Wink M.; Heidrich, P.; Sauer-Gürth, H.; El-Sayed, A.-A. & Gonzalez, J. M. 2008. Molecular phylogeny and systematics of owls (Strigiformes). In: König C. & Weick F. (eds). Owls of the world. London: Christopher Helm.

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